Procurar ajuda é o primeiro passo para vencer o ciclo de abuso.

MÊS DA MULHER: Violência doméstica – como procurar ajuda

Procurar ajuda é o primeiro passo para vencer o ciclo de abuso.

Durante o mês de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher (comemorado dia 8), o Sindsemp-MA vem publicando artigos semanais com o objetivo de auxiliar as mulheres a terem mais qualidade de vida e maior bem-estar. No início do mês, falamos sobre como reconhecer um relacionamento abusivo e sair dele.

No post de hoje, falaremos sobre violência doméstica: como procurar ajuda. O isolamento social ocasionado pela pandemia do novo coronavírus pode agravar os casos deste tipo de violênca. Por isso, é importante saber reconhecer e como agir.

ONDE PROCURAR AJUDA

Antes de seguir lendo este artigo, saiba onde procurar ajuda caso esteja sendo vítima de violência doméstica ou conheça alguma mulher nesta situação.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.

Prefeitura de Parnamirim

Boletim de ocorrência

Registrar um boletim de ocorrência relatando os abusos sofridos também é uma medida a ser tomada por vítimas deste tipo de violência, pois implicará na instauração de um processo de investigação. As vantagens da instauração deste procedimento são justamente as medidas protetivas para a mulher, que são aplicadas após a denúncia de agressão feita pela vítima à Delegacia de Polícia, cabendo ao juiz determinar a execução das mesmas em até 48 horas após o recebimento do pedido da vítima ou do Ministério Público, caso elas sejam urgentes.

O que diz a Lei Maria da Penha

O artigo  da Lei Maria da Penha reconhece como violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que aconteça num espaço de convívio permanente entre os envolvidos. IMPORTANTE: De acordo com a lei, esta ação ou omissão não precisa implicar necessariamente uma violência física, podendo também ser violência psicológica e até patrimonial.

Violência doméstica: como começa

Seu parceiro pede desculpas e diz que o comportamento ofensivo e agressivo não voltará a acontecer – mas você teme que aconteça. Às vezes você se pergunta se está imaginando o abuso, mas a dor emocional ou física que você sente é real. Se isto lhe soa familiar, você pode estar experimentando violência doméstica.

Reconheça a violência doméstica

A violência doméstica ocorre entre pessoas em uma relação íntima no mesmo ambiente de convivência. Este tipo de violência pode assumir muitas formas, incluindo abuso emocional, sexual e físico e ameaças de abuso, podendo ocorrer em relações heterossexuais ou entre pessoas do mesmo sexo.

As relações abusivas sempre envolvem um desequilíbrio de poder e controle. Um abusador usa palavras e comportamentos intimidadores e ofensivos para controlar sua parceira.

Pode não ser fácil identificar a violência doméstica no início. Embora algumas relações sejam claramente abusivas desde o começo, o abuso muitas vezes começa sutilmente e piora com o tempo.

Você pode estar experimentando esse tipo de violência se estiver em um relacionamento com alguém que:

  • Xinga você ou insulta de formas diferentes;
  • Impede ou desencoraja você de ir ao trabalho ou à escola ou ver membros da família ou amigos
  • Tenta controlar como você gasta dinheiro, onde você vai, que remédios você toma ou o que você usa
  • Age com ciúmes ou possessivo ou acusa-o constantemente de ser infiel
  • Fica bravo quando bebe álcool ou usa drogas, chegando a agredir você (com agressões “pequenas” como beliscões, apertos no braço, até agressões mais violentas, como tapas e socos).
  • Tenta controlar se você pode ver um prestador de serviços de saúde
  • Ameaça você com violência ou com uma arma
  • Golpes, chutes, empurrões, tapas, estrangulamentos ou qualquer outro tipo de dano a você, seus filhos ou seus animais de estimação;
  • Força você a fazer sexo ou se envolver em atos sexuais contra sua vontade;
  • Culpa você por seu comportamento violento ou lhe diz que você o merece;
  • Ameaça contar a amigos, família, colegas ou membros da comunidade sua orientação sexual ou identidade de gênero.
  • Seu parceiro culpa você pela violência em seu relacionamento. Parceiros abusivos raramente assumem a responsabilidade por suas ações;
  • Seu parceiro só demonstra comportamento abusivo com você. Os abusadores se preocupam freqüentemente com as aparências externas e podem parecer charmosos e estáveis para aqueles fora de seu relacionamento. Isto pode fazer com que você acredite que suas ações só podem ser explicadas por algo que você tenha feito;
  • Os terapeutas e médicos que o vêem sozinho ou com seu parceiro não detectaram nenhum problema. Se você não contou ao seu médico ou a outros prestadores de serviços de saúde sobre o abuso, eles podem apenas observar padrões pouco saudáveis em seu pensamento ou comportamento, o que pode levar a um diagnóstico errado.
  • Você agiu verbal ou fisicamente contra seu agressor, gritando, empurrando ou batendo nele ou nela durante os conflitos.
  • Se você estiver tendo problemas para identificar o que está acontecendo, dê um passo atrás e observe padrões maiores em seu relacionamento. Em seguida, reveja os sinais de violência doméstica. Em um relacionamento abusivo, a pessoa que usa rotineiramente esses comportamentos é o abusador. A pessoa do lado receptor está sendo abusada.

Gravidez, crianças e abuso

Às vezes a violência doméstica começa – ou aumenta – durante a gravidez, colocando sua saúde e a saúde do bebê em risco. O perigo continua após o nascimento do bebê.

Mesmo que seu filho não seja abusado, o simples fato de testemunhar a violência doméstica pode ser prejudicial.

Quebre o ciclo

Se você estiver em uma situação de abuso, tente reconhecer este padrão: seu agressor ameaça te violentar; em seguida, ataca. Depois, pede desculpas, promete mudar e oferece presentes. O ciclo se repete. Normalmente, a violência se torna mais freqüente e severa com o tempo. Quanto mais tempo você permanece em uma relação abusiva, maior é o custo físico e emocional.

Você pode ficar deprimida e ansiosa, ou começar a duvidar de sua capacidade de cuidar de si mesma. Você pode se sentir desamparado ou paralisada.

Você pode ter crescido em uma época em que a violência doméstica simplesmente não era discutida. Você ou seu parceiro podem ter problemas de saúde que aumentem sua dependência ou senso de responsabilidade. A única maneira de quebrar o ciclo de violência doméstica é agir.

Como procurar ajuda

Comece contando a alguém sobre o abuso, seja ele um amigo, um ente querido, um prestador de serviços de saúde ou outro contato próximo. Ligue para a central de atendimento à mulher pelo número 180. Registre um boletim de ocorrência. No início, você pode achar difícil falar sobre o abuso. Mas entenda que você não está sozinha e que há pessoas que podem ajudá-la. É provável que você também sinta alívio e receba o apoio tão necessário.

Crie um plano de segurança

Deixar um agressor pode ser perigoso. Considere tomar estas precauções: saiba como ser acolhida por meio da central de atendimento à mulher (180), ou converse com amigos e familiares que poderiam oferecer acolhimento para que você possa sair da situação de abuso.

Faça a ligação em um momento seguro – quando o agressor não estiver por perto – ou da casa de um amigo ou outro local seguro. Faça uma mala de emergência que inclua itens que você precisará quando sair, tais como roupas extras e chaves. Deixe a mala em um local seguro. Mantenha à mão papéis pessoais importantes, dinheiro e medicamentos prescritos para que você possa levá-los com você em cima da hora. Saiba exatamente para onde você irá e como chegará lá.

Proteja sua comunicação e localização Um abusador pode usar tecnologia para monitorar seu telefone e comunicação on-line e para rastrear sua localização. Se você estiver preocupado com sua segurança, procure ajuda. Para manter sua privacidade: use o telefone com cautela. Seu agressor pode interceptar chamadas e ouvir suas conversas. Use seu computador de casa com cautela. Seu agressor pode usar spyware para monitorar seus e-mails e os sites que você visita.

Considere usar um computador no trabalho, na biblioteca ou na casa de um amigo para procurar ajuda. Remova os dispositivos GPS de seu veículo. Mude freqüentemente sua senha de e-mail. Escolha senhas que seriam impossíveis de serem adivinhadas por seu agressor. Limpe seu histórico de visualização. Siga as instruções de seu navegador para limpar qualquer registro de sites ou gráficos que você tenha visualizado.

Você não está sozinha

Lembre-se: você não está sozinha. Não tenha medo de enfrentar a decisão de interromper o ciclo de abusos. Você merece ser feliz e amada. Você merece viver uma vida tranquila, sem culpas, agressões ou ressentimentos. Procure ajuda.

Sindsemp-MA

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