Carnaval sem machismo: como festejar com respeito a todos

O período mais colorido chegou: o Carnaval. Apesar de ser, tradicionalmente, um período de alegria, festa, samba e folia, a festa carnavalesca ganhou novos tons nos últimos dois anos, com o desabrochar da pandemia. Agora, sem carnaval de rua na maioria das cidades brasileiras, resta ao folião se resignar em brincadeiras caseiras ou em festas particulares.

No entanto, mesmo com menores aglomerações, mulheres constantemente têm seus direitos e dignidade ameaçadas durante as brincadeiras de Carnaval.

Pesquisa do Data Popular, realizada em 2016, revelou que 59% dos homens entrevistados acham que mulheres ficam felizes quando recebem uma cantada na rua. Os dados da pesquisa Chega de Assédio revelam uma realidade muito diferente da manifestada no desejo dos homens: 81% das mulheres consultadas já deixaram de fazer algo, como sair para uma festa ou vestir uma determinada peça de roupa, por terem medo de sofrer assédio.

Pensando nisso, antes de colocar a fantasia e ganhar as ruas, o Sindsemp-MA separou quatro blocos essenciais para te acompanharem neste Carnaval e te ajudarem a fazer dias de festa mais felizes e sem machismo ou desrespeito.

Bloco Não É Não!

Pode até fazer parte da crença popular que uma primeira negativa é, na verdade, um charme ou uma tentativa de “se fazer de difícil”, como que para fazer charme na hora da conquista. Mas esses pensamentos precisam ficar para trás. Ao ouvir um “não” de alguém durante uma investida, respeite o não. Qualquer coisa feita após um não, é algo não consentido. Não desrespeite a vontade de ninguém. Lembre-se: não é não!

Bloco Assédio Tem Que Ser Denunciado!

O Carnaval pode até ser chamado de “a festa mais democrática”, mas ela está longe de ser uma festa para todos. 49% dos homens consultados na pesquisa Data Popular acreditam que mulheres gostam de ser chamadas de “gostosas”, para 70% deles, as mulheres ficam contentes quando ouvem um assobio.

No entanto, na vida real, o assédio impacta diretamente o corpo e a vida de meninas e mulheres, representando um dos grandes sintomas da desigualdade de gênero em nossa sociedade. Caso você tenha sido vítima de assédio, você pode denunciar pelo telefone 180, que tem atendimento 24 horas em todo o Brasil. Se você presenciou um caso de assédio, incentive a denúncia.

Bloco Respeite o diferente

Ao contrário da tradicional marchinha de carnaval, Maria Sapatão é Maria de dia, à noite, e quando ele quiser; o Zezé pode ter a cabeleira que quiser e ser quem quiser. Respeitar o diferente é celebrar o que há de único em cada ser humano, seja um traço físico, uma forma de se vestir, uma orientação sexual ou identidade de gênero. Promover um carnaval feliz para todos significa respeitar as diferenças, sem provocações, piadas ou tons pejorativos. Seja respeitoso! Ser gentil e respeitoso gera mais gentileza e respeito, num belo ciclo de harmonia social que deve durar muito mais que o carnaval.

Bloco do Violência Sexual é Crime!

Todos os anos, milhares de denúncias de violência sexual são realizadas no disque 100 durante o período carnavalesco, sendo a maioria com meninas e mulheres. Quando é Carnaval, o Disque 180 registra um aumento de 90% nos registros de denúncias deste tipo de crime. Que em 2022, essses números caiam, graças à conscientização de todos sobre o respeito e que práticas afetivo-sexuais violentas não podem ser naturalizadas. Nenhuma mulher deve ser tocada sem consentimento! Meninas e mulheres são seres de direitos, que merecem ser respeitadas e curtir o Carnaval sem medo de violência. Ao festejar, fique atento a situações de abuso que podem ocorrer perto de você. Denuncie! Vamos fazer um carnaval mais feliz para todos.

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